Jesus Christus

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

A MONTANHA SAGRADA!



imagens internet (valley neelum)

Era uma vez uma montanha muito alta, que ficava num vale verde, rodeado de árvores antigas, alguns pinheiros, alguns tipos de carvalhos, zimbros e toda natureza vivia feliz naquele vale encantado!

Não muito longe dali havia um pequeno povoado onde viviam pessoas antigas, partes de um grupo étnico que o mundo desconhecia, salvo alguns visitantes inesperados a busca do Elixir da Montanha Sagrada.



Bem, o elixir era algo que ninguém sabia explicar o que era e quem sabia não falava, dizia apenas que cada um tinha que descobrir por si só. E assim, passados muitos meses sem visitas inesperadas, eis que apareceu uma.

Era uma mulher, até jovem, que foi acolhida numa das famílias destinadas a acolher mulheres que vinham sem companhia. Ela havia chegado com o transporte regular de mantimentos – quase todos usavam este sistema.

Nitya vinha de muito longe, do Norte da Índia, mas do outro extremo onde ficava o vale, nas fraldas entre Kashmir e Paquistão e os Himalayas. Ela tinha traços suaves, claros, talvez descendente de ingleses.

A dona da casa a encaminhou ao seu quarto, simples, mas aconchegante e Nitya sorriu satisfeita. A noite ia esfriar e D. Leela resolveu acender a fogueira o que agradou em cheio Nitya que adorava o elemento fogo.

Para o jantar, D. Leela serviu um ensopado de lentilhas, com arroz e alguns cogumelos silvestres que cresciam em abundância naquele vale cheio de paz e algumas belas flores na primavera, que por sinal estava chegando ao fim.

Parecia que ela adivinhava o gosto de Nitya em tudo, pois o prato a agradou de cheio. Depois sentou-se perto da lareira e foi servida com um chá aromático mas delicado que completou o menu de forma perfeita.

Ao sentar-se na outra poltrona feita de colchas bordadas ou tricotadas na região, Nitya perguntou se D. Leela sabia algo mais sobre a Montanha do que as pessoas em geral comentam, ou seja:

- Que era impossível acessá-la. Mas que se sabe que alguns conseguiram, mas raros. E ninguém sabe qual foi o segredo de tal façanha.

D. Leela sorriu como se soubesse algo que a maioria não sabia e que nem ela diria a Nitya, porque o jogo era precisamente esse: cada um tinha que descobrir por si – ter, portanto, persistência e interesse suficientes.

Nitya quase adivinhou seus pensamentos e disse: Talvez eu devesse primeiro tentar subir para então fazer a pergunta, não é mesmo? Ou, quem sabe, ninguém deva nos responder algo, devemos descobrir por conta.

D. Leela apenas acenou com um sorriso e voltou a se perder nas danças das flamas fogosas, que davam um espetáculo maravilhoso a ser apreciado, através do silêncio. E assim, em pouco tempo o sono venceu ambas.

No dia seguinte o sol acordou majestoso, o vale parecia mesmo irreal – algo difícil de descrever se não se vive tal. D. Leela ofereceu chipas com ghe, manteiga clarificada e mel. Outra vez acertou cem por cento o gosto de Nitya.

Ah, sem falar do chá, um pouco mais arrojado, com um leve gosto de chá preto da melhor qualidade – divino pensou Nitya, saboreando cada gole como se fosse um elixir de fato.

Logo depois saiu para dar uma volta e apreciar a visão da Montanha ao longe, mas nem tanto – apenas alguns quilômetros para chegar aos seus pés. E sem perceber foi andando e se sentou num tronco confortável e ali ficou.

O tempo de repente parou. Foi estranho. Parecia agora tudo mais irreal ainda. Nitya olhou para a Montanha e jurou ver um ser sentado no alto dela, em tons azulados com alguns brilhos prateados. Não podia ser, pensou...

Mas voltou a olhar e ele continuava lá. Então teve a ideia de perguntar mentalmente quem era ele. E esperou. O ser parecia ter ouvido e se virou para Nitya e a fitou de longe, ela o sentia.

Ela se arrepiou levemente quando ouviu dentro da mente uma resposta inesperada: sou você em outro tempo, o tempo do não tempo. Você vive no tempo, eu vivo além dele! Apenas o tempo nos separa...

Como assim, pensou sem ponderar... ele é eu em outro tempo, sem tempo? Isso é muito estranho de entender... e logo ouviu outra resposta: Sim, com a mente fica difícil – relaxe, esqueça que tem mente e o que ela é...

Nitya parecia entender isso e relaxou e sentiu como se a mente simplesmente deslizasse para fora de si como água... e, de repente sentiu um Vazio pleno, algo incrível, maravilhoso e olhando para o Ser, este disse:

- Sim, é assim que você entenderá quem sou e quem você imagina que é. Relaxe mais, deixe a mente vazia qual um vaso e não faça nada... apenas aprecie o vazio sereno e doce...

- Agora posso te falar e você pode me ouvir. A Montanha Sagrada não é algo para ser escalado com a mente, nem com as mãos, nem com nada humano. Ela só deve ser apreciada, como você fez sem o saber...

- Ela representa seu Ser Eterno Interno, que todos buscam escalar com algo, alguma técnica, alguma meditação, alguma respiração... mas o fazer, via de regra, impede o acesso – apenas uma profunda atenção seria suficiente...

- Como você fez sem o saber. Pois, via de regra, você se identifica com sua mente, sua vida, seus gostos, seus desejos e vive uma vida que parece sua, que parece que é o que é real, mas esta vida é apenas uma fantasia mental.

- Já ouvi dizer, já li, mas nunca vivi tal estado de ser. E confesso que ainda não sei como fazer, digo, ser o que sou de fato e não este ego... por isso vim, para ver se a Montanha poderia me ajudar, de algum modo...

- Então relaxe e me deixe mostrar mais de Si... e Nitya relaxou e de repente ela sumiu da tela... o Ser estava nela, ele era ela... e ela era ele. Não havia divisão nem confusão... apenas uma sintonia, uma infinita alegria...

Não sabemos quanto tempo Nitya ficou neste estado de SER o ser que se é, mas foi tempo suficiente para o sol ficar pendente, parecendo após meio dia. E foi o chamado para almoçar que a fez voltar a si... lentamente...

Olhou em volta e a Montanha parecia agora outra – parecia que ela havia se entranhado nela, viva, e o Ser junto. A mente parecia um ponto pequeno, distante, apenas observando... ou era o contrário? Ela não sabia...

D. Leela logo viu que ela tinha vivido o Segredo da Montanha e sorriu enquanto servia o cozido de lentilhas com arroz selvagem – outra iguaria para o paladar de Nitya, prato este que ela comeria todos os dias...

Nitya nada conseguia falar – parecia que o silêncio a tinha cativado de tal modo que falar parecia romper com o momento sagrado e viu que Leela sabia... comeram em silêncio e logo Nitya foi se recolher.

No quarto, sozinha, fez não só a digestão da comida, mas do vivido... levou horas entre um estado e outro – parecia que o Ser estava se ajeitando dentro dela, achando espaço, deletando dados da mente para caber nela.

Sim... era isso mesmo: ela sentia que dados e arquivos antigos e sem valor, empoeirados pelo tempo, foram deletados sem questionar – cada arquivo a menos pareciam megabytes de pura leveza...

O Ser, como que encantado com a nova situação, parecia sorrir no fundo, como uma criança que finalmente ganha atenção e sossega... agora sim, ela pensou ou ele, posso ter mais paz... sinto que achei o caminho de volta...

SIM, disse o SER para si... para o resto de Nitya que sobrou, agora sim podemos iniciar o processo de deletar todos arquivos obsoletos e apenas deixar a essência dos seus aprendizados.

SIM, disse Nitya para si... para o Ser que de fato era... agora entendi. Agora vi quanto lixo mental vinha arquivando sem valor nenhum... achando que eram conhecimentos preciosos, talvez tenham sido, mas agora são danosos...

SIM, disse o SER... agora vamos ficar mais próximos a cada arquivo deletado e chegará o dia em que, estando a Mente vazia, você já terá se identificado com seu Real Ser e não sentirá um  vazio pesado, mas apenas a leveza de ser o ser.

SIM, disse Nitya, consigo entender isso e entendi mais, que preciso ajudar você que sou eu... MEU EU REAL, para criar mais situações de comunhão contigo, pois, entendi que isso apagará arquivos do eu antigo...

SIM, disse o SER, você entendeu bem... sou um fragmento agora em tua CONSCIÊNCIA, mas em breve crescerei e você diminuirá tua antiga identidade e eu me tornarei mais presente, mais forte e mais potente.

SIM, disse Nitya, isso ficou claro como um dia de céu azul... preciso ajudar... até você ficar grande e forte... e daí eu, nós seremos UM e daí sim, não será mais preciso fazer nada... apenas SER.

SIM... DISSE O SER. DAÍ SEREMOS UM, ETERNAMENTE.
AUM.
09/12/18


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